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                      EVOLUÇÃO NOS MÉTODOS DE DOMA

Infelizmente, a doma antiga, conhecida como doma tradicional, ainda é praticada em muitas fazendas e haras, em diversas regiões. O principio é o uso da violência. O cavalo é tratado como um animal selvagem, submisso pelo medo, dor, cansaço. É laçado, às vezes até derrubado, suas orelhas são torcidas pelas mãos rudes dos peões, seu lábio superior é  torcido pelo cruel instrumento de contenção conhecido como cachimbo. Amarrado com a cabeça rente ao esteio, recebe a embocadura de forma ríspida e seus olhos são tapados para receber a manta e a sela. É selado na primeira aproximação. Alguns peões, pseudo-treinadores, adotam o método de conduzir na guia antes de montar, corcoveiam muito, até cansar. Outros peões, para demonstrar coragem,  montam para uma platéia que aplaude quanto mais o cavalo corcovear.

Ao longo da cerca de curral o cavalo é “quebrado”, para a direita e esquerda. Já no primeiro ou segundo dia, sai para o campo ou estrada tendo como guia um cavalo madrinha. O uso de “madrinha” gera um cavalo indeciso, confuso, medroso, quando comandado para ir sozinho. Pelo método da doma tradicional, os potrinhos apartados são “quebrados de pescoço” também com o uso de um cavalo madrinha. O cabo do cabresto é amarrado na cauda e a cada tentativa de disparar, o potrinho recebe um violento tranco no queixo.

Na doma tradicional, chicotes e esporas são ajudas auxiliares indispensáveis, sangrando o cavalo. A rudeza dos comandos de rédeas também sangra a boca, quase sempre produzindo futuras calosidades nos pontos de controle da embocadura. É comum encontrar cavalo assim domado com “queixo duro”, às vezes pescoço flácido, devido aos traumatismos no grande músculo braquiocéfalo. Cavalos assim domados, raramente terão um posicionamento correto da cabeça nas paradas, transições de andamentos e no recuo, devido à flexão deficiente da nuca ou, em casos extremos, lesão nesta delicada região.

A doma tradicional tende a gerar um cavalo medroso, acuado, já apresentando algum tipo de vício, ou extremamente propenso a adquirir vícios dos mais variados. Ao contrario, a doma racional gera um cavalo amigo do homem, leal, confiante, mentalmente condicionado para a performance.

O método da doma racional é suave para o cavalo, baseia-se no principio da não violência. O cavalo é subjugado pela paciência, o carinho, a aproximação cautelosa, as lições progressivas e repetitivas, sendo recompensando pelos acertos. Uma vantagem é que os modernos métodos de criação favorecem o contato rotineiro entre cavalo/homem, na alimentação, no controle sanitário, no manejo reprodutivo, no trato do pêlo. Quando o potro atinge a idade da doma de sela, aceita a aproximação do treinador com muito mais facilidade.

Originalmente, o método da doma racional foi introduzido no Brasil através dos treinadores do cavalo Quarto de Milha. Disseminado para aplicação em outras raças, o método foi sendo alterado, às vezes de maneira negativa. Na verdade, alguns métodos de doma racional ainda utilizam alguma forma de violência, como, por exemplo:
- O uso do laço. O giro do laço amedronta o cavalo, que pressente uma agressão. A laçada entrando na cabeça é dolorosa. O aperto na garganta faz o cavalo sufocar.
- O uso do cachimbo – Com a orelha torcida por uma das maos e o labio superior torcido pelo cachimbo, o cavalo sente um medo imensurável, afetando negativamente a assimilação do aprendizado.
- O uso de peia – Alguns métodos utilizam tipos de peia, ligando argola da cabeçada à uma das mãos ou à cilha. O objetivo inicial é evitar que o animal corcoveie. Posteriormente, o objetivo é forçar a flexão da nuca. A peia também é usada para prender as duas mãos quando o cavalo é arreado.

As distorções de métodos de doma racional levaram este autor a desenvolver um método aperfeiçoado, de assimilação rápida pelo cavalo, simples para treinadores e plenamente racional. Nos cursos ministrados Brasil afora, potros e potras a partir dos 24 meses de idade são montados dentro de 24 a 48 horas. Todavia, a recomendação é montar a partir da terceira semana.

Após vários anos de teoria e prática na lida com equideos, este autor desenvolveu um novo método de adestramento de cavalos, chamado de Método LSA de Adestramento, dividido em básico e avançado, para cada uma das fases do adestramento de cabresto e do adestramento de sela.

O termo doma foi substituído pelo termo adestramento, por ser este mais indicativo da lida com animais racionais. Ao contrario, domar guarda relação com a lida de animais selvagens. O termo adestramento sugere mais refinamento no trato com o cavalo.

A exemplo do método da doma racional, o Método LSA de Adestramento tem na sua essência o uso da não violência e a integração plena entre treinador / cavalo. A diferença principal dos métodos usuais de doma racional é a eliminação do uso do bridão durante a fase inicial do adestramento de sela, chamada de adestramento básico.

Durante a fase do adestramento de baixo, denominada de charreteamento, é utilizado o “bosal”, um equipamento de origem colombiana. Na fase seguinte, do adestramento de cima, é utilizado um modelo de hackamore, especialmente desenhado para uso em cavalos marchadores de MTAD – Marcha de Tríplices Apoios Definidos. 

Indubitavelmente, mais de 90% dos vícios de doma e treinamento são desenvolvidos pelo mal uso de embocaduras, em especial o bridão. E logo esta, considerada a embocadura de principiantes, tanto cavalos como cavaleiros e amazonas. O bridão exerce ação elevatória da cabeça, favorecendo um dos vícios mais comuns: o posicionamento excessivamente elevado da cabeça. O segundo vicio de ocorrência mais comum é o chamado “cavalo ponteiro”, aquele que lança seu focinho à frente, atitude provocada pela má flexão da nuca. O uso do bridão não favorece o desenvolvimento de uma boa flexão da nuca. Outros vícios decorrentes do uso do bridão são: abrir e fechar a boca, pendular a cabeça.

Através do Método LSA de Adestramento, potros e potras podem ser adestrados a partir dos 24 meses de idade, desde que apresentem porte normal para a idade, bom direcionamento e sustentação na região dorso-lombar, boa estrutura óssea-muscular de tronco e membros, e aprumos sem desvios considerados graves, que são aqueles enquadrados como desvios totais de raio ósseo.

      As vantagens do Método LSA de Adestramento são inúmeras:

  • Possibilita avaliação precoce do potencial de andamento, o que se torna interessante em se tratando de animais destinados a venda em leilões, ou mesmo para apresentação a compradores no haras.

  • Evita o adestramento de potros durante a fase critica da manifestação do libido, especialmente se estes potros já foram introduzidos na reprodução, o que geralmente ocorre por volta dos 30 meses de idade. O libido afeta negativamente o grau de concentração nas lições.

  • Evita o adestramento de potras após terem sido cobertas, o que geralmente aumenta os riscos de reabsorção embrionária e/ou aborto.

  • Reduz os riscos de danos à boca do animal, tendo em vista que retarda o uso de embocadura. Esta somente será introduzida quando o animal completar o adestramento basico, ou seja, estiver executando corretamente o passo, a marcha ou o trote, as paradas, os volteios à direita e à esquerda e o recuo.
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