EVOLUÇÃO NO USO DE ARREAMENTO - I PARTE – SELA E ACESSÓRIOS
A escolha correta de uma sela depende do uso do cavalo, do porte do cavaleiro/amazonas e também do porte do próprio animal. Existe ainda o aspecto da tradição envolvendo a história das raças, determinando o arreamento e trajes típicos. Infelizmente, a identidade da raça Campolina não vem sendo preservada, em seu arreamento e trajes típicos, e até mesmo no tipo de andamento marchado.
Antigamente, não se usava a denominação de sela, mas sim de arreio. O termo arreamento inclui a sela e acessórios, manta, rédeas e embocadura. A diferença básica entre arreio e sela é que esta geralmente tem aba, sobre-aba e cilha. A sela mais antiga é a inglesa, originalmente utilizada para corridas de P.S.I. e, posteriormente, para saltos e adestramento clássico.
O arreio original do cavalo Campolina, que veio a ser conhecido como arreio mineiro, tem o cepilho elevado, em forma de canga, favorecendo o apoio de mãos para montar, desmontar e para prender cabo de cabresto, laço, facão, etc. O assento é amplo, o encosto elevado, com discreta inclinação. A armação era de madeira, tendo evoluído para armação de ferro e, posteriormente, de fibra, que confere mais leveza as atuais selas. O arreio original, ao contrario da sela, não tem cilha, somente barrigueira, confeccionada com cabelo de crina e cauda, que também serviam para confeccionar as rédeas. Os loros tinham paralamas largos, para proteger a calça de sujeira. Os estribos eram enormes, com armação de madeira, revestida com couro, com proteção para os pés, imprescindível nos serviços de campo. O látego, de couro cru, serve para apertar a barrigueira. O contra-látego, também de couro cru, onde se prende a barrigueira, também serve de ajuste. Atrás do encosto, tinha argola, onde se amarrava a capa ou o laço. Nas laterais, tinha dois alforjes, para transporte de suplimentos ou de medicamentos. Rabicho e peitoral eram complementos muito utilizados, tendo como função manter a estabilidade da sela.
As mantas originais eram confeccionadas na própria fazenda, com enchimento de palha e costuradas com pano. Evoluíram para mantas de couro curtido, couro de pele de bode, polipropileno com enchimento de espuma.
Na doma de animais chucros era utilizado o lombilho, cuja armação é de talo de bananeira. Com o tempo, foi substituído pelo próprio arreio e, atualmente, a doma é feita com a própria sela utilizada para apresentação em exposições. É um erro, pois alem de bem mais caras do que o arreio, não proporcionam a mesma segurança para as primeiras montadas.
As mulheres montavam em um arreio especial, conhecido como cilhão, que favorecia a montada com as duas pernas para um mesmo lado. Era falta de pudor uma mulher montar de pernas abertas. Geralmente, cavalgavam unicamente como meio de transporte.
A partir da década de 50, foi lançada a sela mineira, para uso em exposições. Tem a mesma forma de cepilho do arreio mineiro, sendo mais leve, com aba e sobre aba, encosto mais inclinado, armação de ferro. Também era usada em exposições a sela Paulista, com cepilho elevado, mas em forma de meia-lua. Via de regra geral, recomenda-se que uma sela deve ser o mais leve possível, dentro de seu tipo, com peso médio entre 8 a 10 kg, devendo ser, necessariamente, confortável para cavalo e cavaleiro. Para o primeiro, pelo suador mais aberto, textura macia (enchimento moderado), altura mediana e, de preferência, flexível. Quanto mais alto e estreito for o suador, maior será a pressão dos atritos que incidem sobre as regiões dorsal, lombar, escapular, da cernelha e dos costados.
Para o conforto do cavaleiro/amazonas, o assento deve ser macio e moderadamente fundo, com a patilha (encosto) de inclinação e altura medianas, porém em nível superior ao do cepilho (cabeça), a fim de favorecer o assento mais fundo e a estabilidade do cavaleiro. Se a patilha é muito baixa, o assento pode ser deslocado para trás. Já o cepilho, varia muito, tanto na forma como na altura, dependendo do tipo de sela. Se a área de assento for alta próxima ao cepilho, há um grande desconforto para o cavaleiro. Acima de tudo, uma sela deve ser proporcional ao comprimento dorso-lombar do animal e estar bem posicionada, a fim de não exercer pressão adicional sobre a cernelha, espáduas ou região lombar.
Abas, sobre-abas e paralamas, devem ser macios e flexíveis, para não incomodar as pernas. Os paralamas devem ser bem embutidos nos loros, e estes, fortes, bem encaixados sob as abas, com fivelas de fácil ajuste e bem encobertas. Se as abas são bem longas, devem ser ligeiramente inclinadas para a frente, dispensando o uso dos paralamas. Os melhores estribos são em forma de sino, com apoio largo e protetor de borracha.
Barrigueira e cilha devem ser de material macio e flexível, para não restringir os movimentos do cavalo e as respostas durante a doma e o treinamento. A cilha é mais estreita. Tem de 5 a 6cm, para reduzir atritos próximos à uma região de grande mobilidade: a articulação do codilho. O ajuste deve ser a pelo menos 4cm do codilho. Já a barrigueira é mais larga, tendo entre 10 a 15cm, devendo ser ajustada no meio da região ventral. De preferencia, barrigueira e cilha devem ser unidas por uma tira de couro com fivela, o que evita o deslocamento da barrigueira para trás. Os látegos e contra-látegos que as prendem devem ser fortes e macios, de fácil ajuste e bem fixados em argolas adequadamente colocadas na armação, de modo a manter cilha e barrigueira em suas posições corretas. São falhas comuns de fabricação as argolas atrasadas ou adiantadas.
Infelizmente, a falta de fidelidade às tradições histórico-culturais da raça Campolina vem permitindo o uso de selas atípicas em exposições, até mesmo as do tipo Ingles e Western. As mais utilizadas são as do tipo Australiana e Canadense. Ao contrário, a maioria das raças mais importantes preservaram a cultura do arreamento e dos trajes. |