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EVOLUÇÃO NO USO DE ARREAMENTO - II PARTE - EMBOCADURAS

Os freios originais eram pesados, fabricados com ferro, bocal grosso, espessura entre 1,5 a 2,0 cm, passador de lingua alto, entre 3 e 4,0cm. As hastes longas e ligeiramente inclinadas, proporcionavam um efeito alavanca severo. Basicamente, existia somente um modelo de freio. Um dos mais utilizados originalmente foi o freio marca “Rio do Peixe”, produzido no atual município de Piracema, que dista apenas 20 km da cidade de Passa Tempo e 60km da cidade de Entre Rios de Minas. Posteriormente, ainda na primeira metade do século XX, surgiu o freio “Ägua Choca”, modelo semelhante ao do Rio do Peixe, porem menor e mais leve.

O bridão, começou a ser utilizado para a doma no inicio do século XX. Também era confeccionado em ferro, bocal grosso, olhais grandes, com hastes longas e achatadas. Por volta da metade do século XX, os freios começaram a ser produzidos em aço, com melhor acabamento e durabilidade, sem o inconveniente da ferrugem. Alguns amansadores de cavalos diziam que o ferro era melhor aceito, mas não há diferença de respostas entre embocaduras de aço ou de ferro. Já o cobre, de fato é material que estimula a salivação. As primeiras embocaduras confeccionadas com cobre são de uso recente na raça Campolina, a partir da ultima década do século XX.

Na década de 60, Márcio de Andrade lançou o bridão e o freio modelo Passa Tempo, os quais passaram a ser largamente utilizados nas raças Mangalarga Marchador e Campolina.

Atualmente, uma gama enorme de modelos de freios e bridões, a maioria de uso em cavalos trotadores, vêm sendo usados no adestramento, treinamento e apresentação do cavalo Campolina. O mal uso de embocaduras talvez seja a principal causa do cavalo mal educado. A embocadura inicial é o bridão. O modo de ação é a pressão principal sobre as comissuras labiais e região da barra (gengiva), onde não há dentes molares, mas ponta cortante de caninos muito crescidos pode prejudicar a ação do bridão. Esta ação gera uma reação do cavalo, a  elevação  da cabeça, como forma de amenizar o incômodo da pressão nas comissuras labiais, uma região de sensibilidade desenvolvida. Obviamente, quanto mais discretos forem os comandos de rédeas acionando o bridão, menor será a reação de elevar a cabeça.

O atual método de adestramento idealizado por este autor comprovou, na prática, que o bridão vem sendo utilizado de forma errada nos cavalos Campolina, tanto quanto ao tipo de rédea ( o correto é a rédea direta ), a força de pressão no comando de rédeas, e o excessivo tempo de uso. No Método LSA de Adestramento, o bridão é praticamente uma embocadura de transição, como forma de preparar a boca do cavalo para a introdução do freio. O uso incorreto do bridão pode gerar os seguintes problemas: elevação excessiva da cabeça, oscilação da cabeça, ponteiro, abrir e fechar boca, bater lábio inferior.

De acordo com o grau de  severidade da ação, o bridão pode ser brando, moderado, severo. Quanto menos espesso o bocal, mais severa a ação. As referencias de medidas são:
Bocal até 1,0cm de espessura – severo
Bocal entre 1,0 a 2,0 cm – moderado
Bocal acima de 2,0cm – brando.

O freio é a embocadura profissional, aquela que realmente tem condições de ajudar o treinador a explorar o máximo do potencial de seu cavalo funcional O freio exerce ação complexa, de efeitos múltiplos. O bocal pressiona as barras; a ponte , ou passador de língua ( curva do bocal ) atua no palato; a barbela atua no queixo. O segredo do uso correto do freio está no ajuste da barbela. Deve ser ajustada com a folga da largura do dedo indicador. Assim, quando as rédeas são acionadas, o bocal encosta no palato e a barbela pressiona o queixo, travando o bocal. Se a barbela estiver muito apertada, o bocal “risca” o palato, causando desconforto e até mesmo ferimento. O terceiro efeito do freio, o principal, é o chamado efeito alavanca. As rédeas puxam as hastes (pernas ou cãimbras), para travar o bocal no palato.

Saber escolher um freio é uma ciência. O modo de ação de suas partes é variável. Por exemplo, o bocal pode ser brando e as hastes severas; o bocal pode ser severo, mas as hastes são brandas. O modo de ação do freio é mais complexo do que o bridão, porque atua sobre três pontos de controle, enquanto o bridão atua basicamente sobre um único ponto de controle. Assim como o bridão, o freio também pode apresentar diferentes graus de severidade em sua ação: branda, moderada, severa. As referencias de medidas são:
Haste inferior - até duas vezes o comprimento da haste superior – efeito alavanca varia do brando a moderado. Ao contrário, quando exceder a duas vezes o comprimento da haste superior, o efeito alavanca será severo.
Altura da ponte, ou passador de língua ( curva do bocal ) abaixo de 2,0cm – ação branda, de 2,0 a 3,5cm, ação moderada; acima de 3,5cm, ação severa.
Formato da curva do bocal – em V, tende a ser mais severo do em forma de U. Em meia-lua é o mais brando.
Espessura do bocal – até 1,0cm, ação severa; entre 1,0 a 1,5cm, ação moderada; acima de 1,5cm ação branda
Espessura da barbela – quando mais fina a barbela, mais severa será a sua ação.

Uma evolução marcante no uso de embocaduras foi a da necessidade das transições. A sequencia correta de transições de embocaduras depende do grau de severidade da ação. O primeiro estagio é a embocadura de ação branda, seguindo-se a de açao moderada e a de açao severa. Assim, em um mesmo modelo de bridão ou freio, podem ser usados tres variáveis diferentes. Antes que o cavaleiro acione as rédeas, o cavalo deve acostumar com cada embocadura nova. Para tanto, recomenda-se que permaneça com a cabeçada e a embocadura na boca durante pelo menos dois dias, comendo capim picada ou feno. A mastigação favorece a aceitação rápida da embocadura.

Pelo Método LSA de Adestramento, as transições de embocaduras são facilitadas, porque o animal é previamente treinado no buçal e no hackamore. E para cada nova introdução de embocadura é obedecido um periodo de adaptação na boca, antes que o treinador acione as rédeas. Se o primeiro bridão foi de ação moderada, a transição para o freio poderá ser para um de ação também moderada. Esta é a sequência mais agil do uso de embocaduras e a que geralmente trará resultados positivos. Outra alternativa muito utilizada é iniciar com o bridão de ação branda, sendo que a transição deverá ser para um bridão moderado, deste para um freio brando e, finalmente, para um freio moderado.

O freio de ação severa é indicado somente para cavalos que se destinam a competições radicais, que exigem muito do cavalo em termos de maneabilidade, velocidade, precisão no esbarro.

Uma embocadura chamada de transição é o freio – bridão, que vem sendo erradamente usado na raça Campolina, e sem necessidade. Mais uma imitação do que se pratica em cavalos trotadores. O bocal é articulado, aturando como um bridão, pressionando as comissuras labiais. Mas as hastes são de freio, tipo alavancas. Mas o efeito alavanca não atua sobre o palato, porque o bocal não é curvo. As alavancas atuam sobre a pressão da barbela no queixo. Assim, um freio – bridão atua sobre dois pontos de controle – comissuras labiais e queixo. Somente em alguns casos recomenda-se o uso do freio – bridão, na transição do bridão para o freio. Sua ação de efeitos duplos tende a melhorar a flexão da nuca. Mas em mãos brutas, esta embocadura faz estragos graves. O excesso de pressão da barbela no queixo tanto poderá encapotar o animal, como também manter a cabeça muito elevada, não corrigindo em nada a ação elevatória do bridão. O freio sim, este exerce ação principal de baixar a cabeça do animal, de estimular a flexão da nuca.

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