ADESTRAMENTO SEM USO DE EMBOCADURAS
O adestramento do cavalo Campolina sem o uso de embocaduras foi idealizado por este autor através do Método LSA de Adestramento de Cavalos Marchadores. O método consiste em duas etapas, o adestramento básico e o adestramento avançado.
1.1 – ADESTRAMENTO DE CABRESTO
1a FASE – CABRESTEAMENTO
Antes da apartação, por volta dos 5 meses de idade, cabrestear a égua e a cria. O treinador conduz ao cabresto a égua e dá um leve toque no cabo de cabresto da cria, cujo instinto é acompanhar sua mãe. Um auxiliar posiciona-se atrás da cria, erguendo o braço para reforçar o comando de caminhar ao cabresto. Evitar o uso de chicotes ou qualquer outro tipo de violência. Nesta 1a fase, o objetivo é ensinar a cria a caminhar, em resposta ao comando de puxar o cabo de cabresto.
Durante uma semana, repetir este procedimento. Na segunda semana, a cria poderá ser conduzida sozinha, inicialmente ao passo. Posteriormente, adquirida a confiança no treinador, iniciar lições de cabrestear na marcha. No inicio, talvez seja necessária a ajuda do auxiliar, posicionando-se atrás da cria com o braço erguido. Usar comandos vocais.
2a FASE – APARTAÇÃO
Sempre em lotes, apartar de uma vez as crias, deixando-as em um piquete seguro, ou baias amplas, com disponibilidade de água, sal mineral, volumoso e concentrado. O estresse da apartação findará após três dias.
3a FASE – VOLTEIOS E PARADA
Em um redondel, com ajuda do auxiliar, comandar marcha em círculos à direita e à esquerda. Após três dias, em média, o animal aprenderá a lição, podendo ser conduzido somente pelo treinador.
Entre seções de marcha á direita e á esquerda, ensinar a parada. O treinador posiciona-se ora à frente do animal, ora ao lado da cabeça.
4a FASE – CONDICIONAMENTO E TREINAMENTO PARA EXPOSIÇÕES
Os animais de recria, devem ser soltos no pasto, onde terão um condicionamento físico natural. Os animais destinados às exposições devem ser introduzidos em programas de condicionamento físico e mental, simultaneamente ao programa de treinamento para apresentação em julgamentos de morfologia e de andamento.
1.2 – CHARRETEAMENTO
Em torno dos 30 meses de idade, dependendo do porte, estrutura óssea-muscular e aprumos, pode ser iniciado o adestramento básico de sela. A primeira etapa compreende o charreteamento. Não se recomenda iniciar o adestramento de potros que já estejam servindo éguas. A falta de concentração prejudica o aprendizado.
1a Semana – Em um redondel apropriado ( o melhor é o ovalado, de 20 m de comprimento por 12 m de largura ), iniciar o charreteamento com o Buçal, passando as guias pelo cilha
( usar argolas inferiores ). A primeira lição consiste em fazer com que o animal perca o medo do equipamento e do treinador. Geralmente, será necessária a ajuda de um auxiliar, segurando uma das guias longas. Já no primeiro dia, ou no máximo, no segundo dia, o treinador conseguirá charretear sozinho. Nos primeiros dias treinar em movimentos de baixa velocidade ( passo e marcha reunida ), paradas, transições. Sempre usar comandos vocais com entonação forte de voz: PARAR, VIRAR, PASSO, MARCHA. Dependendo das reações do animal, já no segundo dia, o charreteamento poderá ser conduzido ao longo da cerca de uma pista apropriada.
2a Semana – Continuar o Charreteamento, alternando lições na pista e estrada. O recuo já pode ser ensinado, com moderação, poucos passos atrás a cada dia, usando o comando de FASTA! As guias devem passar pelas argolas superiores. A cada dia, toda lição deve ser repetida, com recompensas após os acertos e punições imediatamente após os erros. A severidade da punição depende da gravidade da má atitude. Uma punição branda é uma entonação mais forte da voz, associada a um toque mais forte na guia longa. Uma punição moderada é o uso da mão. Uma punição mais severa é o uso do chicote.
3a Semana – Charretear com a sela, passando as guias longas pelos loros. A primeira lição é a de aceitar a sela no dorso. A segunda lição é aceitar sair ao passo. Em alguns casos será necessária a ajuda do auxiliar. Em seguida, todas as lições anteriores devem ser repetidas, sempre com o comando vocal – PASSO, VIRAR, MARCHAR, PARAR, FASTA. A partir do segundo dia, o charreteamento com a sela deve ser conduzido em pista e estrada.
4a Semana – Em um redondel apropriado, montar com o Hackamore de 4 rédeas. A primeira lição é perder o medo de ser montado. A terceira lição é aceitar sair ao passo. No inicio, será necessária a ajuda de um auxiliar, puxando o animal ao passo, e segurando firme e curto o cabo do cabresto, caso o animal tenha intenção de andar mais rápido, ou corcovear. A partir do segundo ou terceiro dia, dependendo das reações do animal, o adestramento de sela pode ser conduzido em uma pista, sempre ao longo da cerca. Os mesmos comandos vocais devem ser utilizados: PASSO, VIRAR, PARAR, MARCHAR. Todas as lições do charreteamento devem ser repetidas, consolidando o aprendizado.
5a Semana – Continuar o adestramento com o uso do Hackamore de 4 rédeas, mas alternando lições em pista e na estrada, executando transições de passo/parada, parada/marcha, marcha/passo, e assim sucessivamente. O recuo já poderá ser ensinado, em um corredor de 1,5 m de largura. Não tendo o corredor, recuar ao longo de uma cerca. Assim que o animal aprender a recuar, iniciar lições de abrir e fechar porteira.
6a Semana – Exercitar passo e marcha em círculos à direita e à esquerda, serpentina, figura de oito, galope lento, transições de andamentos. Continuar a utilizar os comandos vocais – PASSO, MARCHA, VIRAR, PARAR, FASTA.
7a Semana – Substituir o Hackamore de 4 rédeas pela cabeçada com o bridão D agulha de ação moderada. Deixar na boca durante uma parte do dia comendo ração e / ou capim, para adaptação. A partir do 3o dia, o treinador poderá montar acionando as rédeas do bridão. Todas as lições anteriores devem ser repetidas, exceto o recuo.
8a Semana – Consolidar todo o aprendizado, incluindo o recuo.
Consiste no treinamento para o desempenho de atividades especificas, tais como: concurso de marcha, cavalgadas, enduros, provas funcionais, demonstrações de adestramento circense. A partir do 2o mês o bridão deve ser substituído pelo freio de ação branda, após adaptação de dois dias. Dependendo das reações de cada animal, o treinador tomará a decisão do momento certo da transição do freio de ação branda para o freio de ação moderada. Em alguns casos, não haverá necessidade. |