CARACTERISTICAS MORFO-FUNCIONAIS DO CAMPOLINA DE CONCURSO DE MARCHA
Conformação - No aspecto morfológico, um cavalo de Concurso de Marcha não precisa, necessariamente ser belo. Mas deve ser harmonioso na conformação, o que é sinônimo de boas proporções e ligações. É oportuno esclarecer que a conformação não é condição de marchar. Mas pode ser condição de marchar com mais qualidade. Vejamos algumas correlações:
- O conjunto de frente não deve ser pesado, para não sobrecarregar a sustentação e deslocamento de membros anteriores. O pescoço, quando se insere muito baixo, abaixo do terço médio superior do tronco, dificulta o deslocamento de membros anteriores;
- As espáduas devem ser longas, bem musculadas e adequadamente inclinadas ( ideal entre 52 e 55 graus ), o que favorece a suavidade dos apoios e a amplitude dos deslocamentos;
- A garupa deve ser longa, bem musculada, levemente inclinada, o que favorece a boa impulsão e o engajamento adequado dos membros. Da mesma forma contribuem as pernas fortemente musculadas e bem inclinadas, jarretes de angulação correta. Ao contrario, haverá tendência para os membros posteriores posicionarem-se atrasados, o que favorece a maior elevação, interferindo na ocorrência e definição dos tríplices apoios;
- Quanto às proporções, os comprimentos devem ser próximos entre cabeça, pescoço (medida tomada na região inferior), espáduas, dorso-lombo e garupa, com biótipo mediolineo. Quando brevilineo, favorece a tração. Quando longelineo, favorece a função corrida.
- Outra medida de proporção importante é a altura de membros anteriores relativamente a altura de membros posteriores, Da castanha, imagina-se uma linha partindo paralela ao solo, terminando na ponta dos jarretes. Quando o animal é pernalta ( membros posteriores muito altos ), perde-se esta proporção. A tendência é que os membros posteriores posicionem-se atrasados, favorecendo os deslocamentos mais elevados, que geralmente não são aqueles que resultam em comodidade satisfatória.
- Quanto às ligações, a mais importante do ponto de vista funcional é entre lombo e garupa. O lombo é uma região de grande massa muscular, que trabalha intensamente na contração e expansão do grande músculo latissimus dorsi. Em cavalos “desligados”, a força de impulsão, que deriva do trabalho de membros posteriores, tende a ser parcialmente perdida, favorecendo a instabilidade da garupa, os desequilíbrios no centro de gravidade.
Andamento - O principal ponto em comum entre as marcha tipo passeio e a marcha tipo performance é a comodidade. Em seguida, vem a regularidade, sendo que no cavalo de passeio esta é mais variável, dependendo do tipo de terreno, mas o diagrama deve permanecer inalterado.
Nos cavalos de Concurso de Marcha o desenvolvimento é uma qualidade, na forma de passadas amplas, o que indica bom rendimento. O cavalo deve cobrir terreno com gastos mínimos de energia, o que implica em deslocamentos de mais retidão, menor tempo nas fases de elevação e maior tempo nas fases de avanço.
Mas é no item estilo que se inserem as principais diferenças. O cavalo de Concurso de Marcha deve manter a cabeça bem colocada, sem excessos de elevação ou de inclinação. Para tanto, a nuca deve estar corretamente flexionada. A cabeça também deve manter estabilidade. A boca fechada, os lábios firmes. A cauda estável. Os membros devem apresentar energia, coordenação entre si, impulsão vigorosa. Os deslocamentos devem ser bem flexionados e levemente alçados, para proporcionar elegância e favorecer a suavidade dos apoios.
O bom equilíbrio da marcha pode ser constatado pela estabilidade do centro de gravidade, logo atras da cernelha, e da garupa. A retidão dos deslocamentos em muito contribui para o equilíbrio correto. As irregularidades dinâmicas mais comuns são os desvios de cascos anteriores para fora ( “remar”), para dentro ( “ceifar”) e as elevações excessivas, que podem ser sucedidas pelo ato irregular de “martelar”, ou seja, bater os cascos com extrema força, gerando abalos frontais. Nos membros posteriores, o desvio mais grave é o arqueamento de jarretes, devido a desvios de aprumos e má flexão, gerando instabilidade na garupa, tornando a força da impulsão deficiente.
Brio - O brio refere-se à disposição expontânea do cavalo em trabalhar. Linfático é o contrario de brio, sendo dos defeitos mais desagradáveis em um cavalo, limitando a capacidade de aprendizagem e a eficiência da performance.
O cavalo brioso, árdego, não exige ajudas auxiliares na equitação. Responde prontamente aos mais discretos comandos de pernas e de assento. As rédeas são facilmente acionadas de maneira sutil, pelo ato de “dedilhar”. O cavalo brioso trabalha com vontade e pára somente ao comando de seu cavaleiro / amazonas.
O brio não deve ser confundido com o temperamento inquieto, nervoso. Este tipo de comportamento dificulta a ação das rédeas e favorece a instabilidade da cabeça e a má aceitação da embocadura. O cavalo de temperamento nervoso tem dificuldade de caminhar de forma relaxada, marcha, trota ou galopa quase sempre apoiado na embocadura. A eficiência da performance é reduzida.
Resistência - Sem resistência, o cavalo será incapaz de marchar com o mesmo padrão de qualidade em todos os quesitos – comodidade, regularidade, desenvolvimento, estilo, durante 40 minutos.
Docilidade – Sem docilidade, certamente não terá boa competitividade, pois itens como estilo, regularidade e desenvolvimento serão prejudicados.
Inteligência - A inteligência do cavalo é reduzida em relação à capacidade de tirar conclusões de situações. A concentração nas lições também é deficiente, motivo pelo qual estas devem ser de curta duração.
Entretanto, o cavalo demonstra uma boa capacidade de aprendizagem devido à sua boa memória em gravar, as boas e as más experiências. A repetição das lições, em doses curtas, é um dos segredos do aprendizado positivo. A memória grave as lições que foram acompanhadas de recompensas e as lições que foram acompanhadas de punição.
O grau de sensibilidade dos sentidos naturais mais explorados pelo treinador, a audição e o tato, guarda estreita relação com o grau de inteligência do cavalo e, consequentemente, à sua treinabilidade.
Treinabilidade - A treinabilidade pode ser entendida como a facilidade em assimilar as lições. Quanto melhor a treinabilidade, mais funcional tende a ser o cavalo. Está diretamente relacionada com a inteligência, o temperamento e o manejo.
Cavalos inteligentes, de boa memória, demonstram uma melhor capacidade de aprendizagem. As lições emanadas de um bom treinador fluem sem interrupção, agilizando todas as etapas do adestramento.
Cavalos dóceis, sem serem linfáticos, tendem a apresentar boa treinabilidade, ao contrário dos cavalos de má índole e de temperamento inquieto, nervoso.
É essencial que o cavalo seja corretamente manejado, desde o seu nascimento. As más experiências do passado, associadas aos maus tratos, podem afetar negativamente a treinabilidade. |