CARACTERISTICAS MORFO-FUNCIONAIS CAMPOLINA DE PROVAS FUNCIONAIS
Conformação – As qualidades em um cavalo de provas funcionais concentram-se na cascaria forte, aprumos regulares, constituição óssea-muscular possante.
Andamentos - No cavalo de esporte, o galope é o andamento mais importante, devendo ser potente na arrancada; equilibrado nas variedades galope reunido, galope médio e galope alongado; veloz no galope de corrida, ágil nos volteios, preciso no esbarro. Em muitos esporte, o trote também pode receber igual importância, devendo ser cadenciado, de boa amplitude nas passadas, estiloso e equilibrado na sincronia de trabalho dos bípedes diagonais.
No caso especifico de provas funcionais para o cavalo Campolina, as quais tendem para provas de precisão, todos os andamentos naturais devem ser valorizados em programas de treinamento – passo, marcha, galope, além do recuo e do salto sobre fardos de feno e tambores deitados.
Brio e coragem - O brio, anteriormente descrito para os cavalos de Concursos de Marcha, também é qualidade muito apreciada em cavalos de provas funcionais. Da mesma forma, a coragem é um atributo de grande valia na pratica de alguns esportes, tais como os enduros. Os percursos incluem obstáculos naturais variados: rios, atoleiros, barrancos íngremes, saltos sobre valetas, dentre outros. Um cavalo corajoso não reluta ao comando de seu cavaleiro/amazonas. Neste ponto reside uma vantagem do muar sobre o equino. Em situação de perigo, raramente o muar obedecerá o seu dono. Primeiro, resguarda sua segurança.
Maneabilidade - Seja qual for a finalidade de uso, o cavalo funcional deve apresentar boa maneabilidade nos volteios à direita e à esquerda. Quanto melhor o desenvolvimento da flexão lateral do pescoço, do tronco e membros, melhor tende a ser a eficiência da maneabilidade. Exemplos de atividades que exigem extrema maneabilidade: provas de agilidade, tipo três tambores e seis balizas; prova de apartação
Potência - A potência é essencial no cavalo funcional, em todas as atividades. Ela deriva do trabalho de membros posteriores, que exercem a força de impulsão, responsável pelos aumentos de velocidade. A potência aumenta progressivamente do passo à marcha, trote e galope. A potência pode ser negativamente afetada pela perda de fadiga, estrutura muscular deficiente nos membros posteriores, aprumos posteriores irregulares.
Velocidade - A velocidade dos andamentos também é um ítem a ser abordado à parte na avaliação do perfil do cavalo funcional. Cada andamento tem seu limite de velocidade, a ser atingido pelo treinador e bem explorado nas competições, lazer e serviço O Quarto de Milha é um especialista nas corridas de curta dist6ancia – um quarto de milha; o Puro Sangue Ingles é um especialista nas corridas de longa distância; o Standard Bred ( Trotador Americano ) é um especialista nas corridas de trote; alguns cavalos marchadores são especialistas no largo, uma modalidade de marcha em alta velocidade.
Um cavalo de provas funcionais deve executar adequadamente todos os andamentos naturais, os quais, em se tratando de um cavalo da raça Campolina são: passo, marcha, e galope. Raros são os casos de animais de locomoção 100% eficiente em todas as modalidades de andamentos. As principais irregularidades na locomoção do equino são relacionadas e discutidas em seguida.
1) Passo
- Perda de ritmo: Esta irregularidade é de ocorrência frequente em animais tensos, ou mal equitados, em qualquer uma das variedades do passo: reunido, médio, alongado ou livre. Na verdade, qualquer defeito na execução do passo é de difícil correção, pois este é um andamento assimétrico que requer descontração mental, relaxamento, boa flexibilidade de pescoço, tronco e membros. A integração cavalo/cavaleiro deve ser perfeita.
- Perda de retidão: As mesma considerações anteriores são válidas para este problema.
- Pouca amplitude: O cavaleiro deve alongar os deslocamentos, acionando pressão de pernas, assento na sela, aliviando rédeas, em exercícios básicos de picadeiro, tais como a serpentina. Após seções de trabalho no galope e trote (ou marcha), o passo tende a ganhar mais amplitude, principalmente nas variedades passo alongado e passo livre.
2) Marcha
- Perda de regularidade: A manutenção da regularidade do andamento está diretamente relacionada com a habilidade do cavaleiro em aplicar os comandos da equitação, principalmente os de rédeas. Trabalhar o animal em terreno plano e regular.
- Pouco rendimento: Para obter aumento do rendimento, ou seja, ampliar o alcance dos deslocamentos, exercitar na marcha (ou trote) alongada, preferencialmente em subidas. O galope lento, cadenciado, também é um bom exercício, em seções diárias de 5 a 10 minutos, intercalando com o trabalho da marcha (ou trote).
- Elevação excessiva dos membros anteriores: Cadenciar o andamento, posicionar rédeas mais baixas, não permitir a elevação excessiva da cabeça, verificar o bom flexionamento da nuca. Evitar o ferrageamento.
- Remar (deslocamento dos cascos para fora): Evitar o trabalho em descidas muito íngremes, cadenciar o andamento no plano, compensar no casqueamento e ferrageamento corretivos. Se o animal estiver muito excitado, este problema será mais evidente. Nas subidas, há uma tendência para reduzir a rotação dos cascos. Evitar o uso de ferraduras. Mas caso sejam necessárias, utilizar as leves, preferencialmente de alumínio.
- Ceifar (cruzar membros anteriores): As mesmas recomendações para o problema de remar.
- Martelar (elevação excessiva e batidas ásperas): Evitar o ferrageamento. Exercitar na marcha (ou trote) alongada, preferencialmente morro acima.
- Basculação de garupa: Exercitar as transições de andamentos, figuras circulares à direita e à esquerda, serpentina, oito, arrancadas no galope alongado, esbarro, recuo. São exercícios que estimulam o aumento da força da impulsão e, consequentemente, a melhora do equilíbrio dinâmico.
- Arrastar pinças de cascos posteriores: Idem as recomendações para o fortalecimento da garupa.
Oscilação de jarretes para dentro: Idem as recomendações para o fortalecimento da garupa.
- Oscilação de jarretes para fora: Idem as recomendações para o fortalecimento da garupa
- Bater palheta: Esta é uma irregularidade difícil de ser corrigida, provocando certo desconforto decorrente de abalos provenientes do trabalho de membros anteriores. A longo prazo, um exercício que poderá amenizar o problema é o trabalho rotineiro no galope lento, cadenciado. Outras alternativas são o salto e os volteios entre balizas nas figuras da serpentina. O objetivo é desenvolver mais flexibilidade, suavizando os deslocamentos e proporcionando mais mobilidade nas espáduas.
- Cabeça excessivamente alta: As causas podem ser várias: rejeição à embocadura; mal flexionamento da nuca; equitação inadequada; temperamento inquieto, demonstrando vontade permanente de avançar, forçando o cavaleiro a conter as rédeas. A lida com gado é um bom exercício para sanar esta irregularidade.
- Cabeça excessivamente baixa: O cavalo que marcha, ou trota, com o pescoço na horizontal, mantendo a cabeça baixa, tropeçará com mais facilidade, devido à sobrecarga extra de peso sobre os membros superiores, que já suportam em torno de 60% do peso total do animal. É um problema comum em animais linfáticos (de pouco calor, sem temperamento de sela) ou cansados. A solução é desenvolver mais ardência, mais brio e disposição para o trabalho, através do uso de esporas e de exercícios em percursos de provas funcionais, de velocidade e agilidade, tipo Três Tambores e Seis Balizas.
- Encapotar (flexão excessiva da nuca) Um freio severo geralmente desenvolve esta irregularidade. Uma outra causa pode ser o uso precoce e inadequado da gamarra. A solução é voltar ao bridão e equitar com rédeas mais altas. Lembre-se que o bridão exerce ação elevatória sobre a cabeça.
- Ponteiro ( má flexão da nuca): É um problema ocasionado pela má flexão da nuca. Utilizar um freio de ação moderada. Exercitar rotineiramente as transições de andamentos, esbarro, recuo, visando desenvolver uma melhor flexão da nuca. As rédeas devem ser posicionadas mais baixas.
- Cabear (oscilação da cauda): É um problema muito difícil de ser resolvido. As possíveis causas são: temperamento natural inquieto (possivelmente até mesmo uma má índole), algum processo de dor, gerado pela embocadura ou o alguma parte da sela, mal uso das esporas.
- Cambitar (sabugo da cauda tenso): Este também é um problema de difícil recuperação, pois quase sempre é nato, o que significa que o animal já começa a apresentar o problema desde as primeiras montadas.
- Andamento áspero: Várias são as causas que explicam esta irregularidade. A primeira, mais grave, quando for de origem genética. Tecnicamente, já está comprovado que os andamentos excessivamente diagonalizados, especialmente o trote, que apresenta momentos de suspensão dos quatro cascos no ar, necessários às trocas dos apoios diagonais, são naturalmente ásperos. Já as marchas, principalmente a picada e a de centro, são cômodas, devido aos apoios tripedais que intercalam os apoios diagonais e laterais. À medida em que o treinamento progride, e o animal adquire mais flexibilidade na musculatura, a tendência é que o andamento suavize um pouco. O uso de ferraduras nos animais de deslocamentos diagonalizados tende aumentar a aspereza dos apoios. Todo tipo de exercício deve ser feito, para tornar o animal mais maleável, elástico e flexível nos seus deslocamentos - lida com gado, figuras circulares, figuras de oito e serpentina, transições de andamentos, galope e esbarro.
3) Galope
- Falta de retidão: Acontece quando um dos posteriores se abre, ao invés de engajar melhor, deslocando a garupa para o lado. É o chamado caso do cavalo que se entorta, porque perde o equilíbrio e a impulsão. Deve ser iniciado um galope reunido, na posição de espádua a dentro, em linha reta, rente a uma cerca ou em círculo, para forçar o engajamento do posterior deficiente.
- Perda de regularidade: É provocada pela má equitação, geralmente uma deficiência na pressão de pernas e apoio do assento, ou até mesmo perda da direção nos comandos de rédeas. É essencial que o cavalo demonstre uma boa aceitação da embocadura, tenha flexibilidade em sua musculatura e esteja posto nas mãos de seu cavaleiro. Somente assim, poderá executar um galope leve, elegante, regular, equilibrado, espáduas flexíveis e móveis, soltura de anteriores, pescoço arqueado ou alongado, dependendo do tipo de galope.
- Pouca flexibilidade: É o chamado galope travado, sendo bastante desconfortável para o cavaleiro. O animal deve ser acalmado, aguardar que esteja relaxado ao passo e reiniciar o galope lento, cadenciado, rítmico, alongando gradativamente os galões (deslocamento dos conjuntos de membros). Em qualquer modalidade de galope, reunido, de trabalho, médio, alongado, de corrida, a boa equitação é essencial, pois este é um andamento de execução mais difícil em relação ao passo e ao trote, ou marcha.
- Aliviar o trem posterior: É um problema decorrente da falta de uma melhor impulsão, prejudicando o engajamento desejável dos membros - membros avançando sob a massa corpórea para empurrar, impulsionar com mais vigor. O resultado é a sobrecarga das espáduas e mãos do cavaleiro. O cavalo deve ser trabalho no galope reunido, galope alongado, galope reunido, galope alongado. É o que se chama de efeito sanfona, visando melhorar a qualidade do engajamento.
- Perder a mão correta: O galope correto deve ser na mão certa. Exemplo, galope à direita, o membro direito avança à frente do membro esquerdo. No entanto, alguns cavalos não conseguem se sustentar no mão correta, sendo um problema relacionado com a fraqueza de um ou dos dois posteriores ou da região dorso-lombar. |