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FORMAÇÃO DO CAMPOLINA FUNCIONAL

Genética - A genética funcional superior indica que os ancestrais são portadores de valores zootécnicos evidentes, sendo um dos principais indicativos do mérito funcional. Contudo, o criador deve ter em mente que a contribuição genética declina a cada geração. Assim, de cada um dos pais, o cavalo funcional herda 50% da bagagem genética. De cada um dos avós, 25%. De cada um dos bisavós, 12,5%. De cada um dos taravós, 6,25%. A partir da Quarta geração a contribuição genética perde em relevância.

O genótipo é um indicativo da performance futura. O fenótipo poderá contribuir para incrementar a qualidade da performance futura. A função indica o que o animal é no momento, podendo ser incrementada através do aprimoramento do tripé – condicionamento físico/mental, treinamento, equitação.

Nutrição - Em nada adianta um genética funcional superior se  a nutrição é deficiente no balanceamento dos nutrientes essenciais, de acordo com as necessidades diárias de proteína, energia, minerais e vitaminas.

Do ponto de vista nutricional, o cavalo funcional começa a ser formado ainda na fase de feto, através da alimentação balanceada da égua gestante, especialmente ao longo do ultimo terço da gestação, período de maior desenvolvimento fetal. Durante a fase de amamentação, a produção de leite, aliada ao acesso a pastagens de boa qualidade, será suficiente para manter os potrinhos (as) bem nutridos. A égua é uma alta produtora de leite, podendo alcançar os 15 litros/dia. Os potrinhos mamam em intervalos curtos, a cada hora, aproximadamente. Todavia, a incidência de má produção de leite é comum, pois não há pressão de seleção para esta característica produtiva dos equinos. Após o 3o mês de lactação a produção de leite entra em declínio, sendo recomendado o inicio de suplementação com o fornecimento de concentrados.

A fase principal do crescimento, da apartação até os 20 meses, em média, requer dieta com teor protéico entre 16 e 18%. Mas muitos criadores forçam em demasia o crescimento, com suplementações de aminoácidos e hormônios. Como resultado, surgem certas irregularidades de aprumos e afecções nos membros. A fase do crescimento coincide com a fase principal do condicionamento físico, visando o desenvolvimento adequado e fortalecimento de ossos e músculos. Assim, é uma fase que também requer dieta de alta energia, a fim de compensar os gastos calóricos decorrentes dos exercícios dirigidos e naturais, em liberdade. Esta é a fase crítica do cavalo funcional, pois coincide com a plenitude do fortalecimento das estruturas ativas – pulmões e coração, e estruturas passivas - cascos, ossos, músculos, tendões, ligamentos.

Diz um sábio ditado popular que “metade de uma raça se faz pela boca”, porém, quando se respeita os princípios naturais da criação e as características morfo-funcionais intrínsecas a cada raça.

Sanidade - O controle sanitário do plantel, em base geral e individual, deve ser rigoroso, caso contrário, a genética superior e a nutrição balanceada serão mascaradas. As vacinações anuais devem ser rigorosamente seguidas, assim como as vermifugações e os banhos de controle de ectoparasitas.

Cada período de doença, infestações de endo e ecto- parasitas, afecções nos locomotores pode prejudicar drasticamente  a formação do cavalo funcional.

Talvez, o cuidado mais importante com o cavalo funcional seja a manutenção da saúde dos cascos. Em sistemas de confinamento, o manejo de camas de baia se apresenta de forma precária em um grande numero de haras. Em consequencia, a ranilha  sofre com os processos de podridão. A sola, barras e parede são afetadas pelas brocas. Os cascos são deformados. Sem casqueamento corretivo, clinico e de morfologia, a performance perderá seu potencial.

Conformação - A conformação é herdada através de uma complexa combinação de genes. Quanto maior o mérito zootécnico funcional do pedigree, maior será a chance de produção de um cavalo de performance exemplar. Contudo, algumas regiões podem ser moldadas para favorecer a performance.

- Conjunto de frente – O pescoço de um cavalo atleta deve apresentar comprimento satisfatório e não apresentar musculatura grosseira ou acúmulo de tecido adiposo. Neste ultimo caso, o uso correto de uma pescoceira poderá amenizar o problema.

- Tronco - Através da musculação, praticamente todas as regiões  podem ser melhoradas. O tórax ganha em abertura e massa muscular. O arqueamento de costelas é aumentado. A região dorso-lombar pode ganhar solidez e mais massa muscular. A garupa pode adquirir mais amplitude através do desenvolvimento e fortalecimento da massa muscular que se aloja em suas faces laterais.

- Membros - O mesmo se aplica para as regiões dos membros. Estes têm uma importância maior na formação do cavalo funcional, especialmente  a saúde, morfologia e balanceamento  corretos dos cascos, os aprumos regulares, as articulações ósseas bem definidas, os tendões fortes.

Adestramento - A cada etapa de manejo, nota-se sua importância na formação global do cavalo funcional. Assim, um adestramento mal conduzido, a partir da fase inicial, do cabresteamento, pode comprometer a condução dos programas de condicionamento físico e de treinamento. Potrinhos (as) adestrados de cabresto pelo método desenvolvido por este autor – Método LSA de Adestramento, serão preparados de forma correta para favorecer a performance nas idades precoce e adulta.

O adestramento inadequado de sela, poderá gerar consequências ainda mais graves, interferindo negativamente na qualidade da performance. Geralmente, a re-educação é mais difícil do que a educação, devido à excelente memória  do cavalo. Infelizmente, em todas as regiões do Brasil, ainda são praticados métodos inseridos na doma tradicional, bruta, que torna o cavalo submisso pela violência. Esta prática é mais enraizada nas regiões centro-oeste, norte e nordeste. Felizmente, a cada ano cresce a consciência a favor da pratica da doma racional, pela contribuição positiva de antigos e novos domadores.

Através do inovador Método LSA de Adestramento, as potras e potros podem ser adestrados de sela precocemente, desde que apresentem bom porte, relativamente à idade, bom direcionamento e sustentação da região dorso-lombar, boa constituição de membros, aprumos regulares.

Condicionamento físico e mental - O condicionamento físico talvez seja a principal “arma” do treinador na busca obstinada pela formação adequada do cavalo funcional. O condicionamento físico é a base do equilíbrio na sustentação e eficiência na locomoção. O condicionamento mental prepara o cavalo atleta para se manter calmo diante das situações a serem confrontadas em competições.

Treinamento - O treinamento confunde-se com o adestramento. São técnicas que se integram. O treinador, na essência da palavra, é aquele que ensina respeitando as individualidades, desenvolvendo a amizade e conquistando a confiança do cavalo. Somente assim, as respostas aos comandos serão precisas, facilitando a exteriorização da performance plena do cavalo funcional. O bom treinador é aquele que se integra ao seu cavalo.

O cavalo funcional é dependente do treinador, e este do tratador e talvez do apresentador em competições. Nem sempre um bom treinador será um bom apresentador, e vice-versa. Apresentar um cavalo em competições é uma arte ainda mais sutil do que treinar.

Equitação - A equitação é a maneira pela qual o cavalo é comandado pelo homem. É ciência e arte, que requer sensibilidade apurada. Os comandos utilizados são denominados de principais e auxiliares. Os principais são: as mãos, através da ação de rédeas; as pernas, que pressionam os costados e lateral do ventre; o assento, através do deslocamento do peso
( nos sentidos lateral e ântero-posterior ). Destes comandos, o mais difícil de ser aplicado é o assento, pois o cavaleiro/amazonas precisa buscar o posicionamento correto de assentar na sela, o chamado “assento fundo”. É a única forma de se integrar aos deslocamentos do cavalo, sem provocar desequilíbrios no centro de gravidade. Entende-se como centro de gravidade o ponto pelo qual o peso do cavalo está simetricamente distribuído sobre cascos anteriores e posteriores. Este ponto situa-se logo atrás da cernelha, na ligação com o dorso.

Os comandos, ou ajudas, auxiliares da equitação são: a tala, ou rebenque, as esporas, a voz. Destes, o de uso mais indicado rotineiramente é a voz, que juntamente com o tato é o principal elo da comunicação homem/cavalo. A tala tem seu uso indicado havendo necessidade de incrementar respostas aos comandos de pernas, especialmente para iniciar e manter andamentos de média a grande velocidade. O local de uso varia, podendo ser aplicada na tábua do pescoço ou na garupa. O uso persistente e incorreto da tala pode interferir negativamente na qualidade da performance ou, em caso extremo, gerar um cavalo rebelde  Quanto às esporas, representam um recurso para estimular o calor, durante a fase do adestramento. Posteriormente, bastará a aplicação correta dos toques de calcanhar. Na memória do cavalo estará gravada a lição que recebeu com o uso das esporas, desde que tenha sido necessário. Geralmente, este recurso é utilizado de forma incorreta, gerando um cavalo de reações negativas, tais como o ato de cabear ( oscilar lateralmente a cauda ), murchar orelhas, escoicear, empacar. Mesmo as esporas mochas, incomodam muito os cavalos.

Apresentação em competições - A prova de fogo para o cavalo funcional é a sua apresentação em competições, ou até mesmo em passeios e cavalgadas. Alem de um preparo profissional, como foi abordado neste capitulo, o apresentador também precisa considerar fatores novos no local da competição, tais como: tipo de terreno, mudanças climáticas, presença de outros cavalos, barulhos, objetos estranhos nos percursos, dentre outros fatores. O treinamento do cavalo no haras deve simular condições a serem confrontadas em cada competição. É uma forma de conduzir o condicionamento mental.

Situações das mais adversas para o cavalo funcional são os passeios e cavalgadas, pois quase sempre são conduzidos por pessoas inexperientes. O principal incômodo é sentido na boca, pela ação incorreta do comando de rédeas. Em seguida vem o desequilíbrio do centro de gravidade, devido ao assento e postura incorretas.

Treinador - No cenário da mão de obra brasileira que lida com cavalos divide-se entre tratadores, peões e treinadores. Tratador é aquele profissional que cuida da alimentação, do trato do pelo, do manejo de cama das baias. Peão  e aquela pessoa rude, quase sempre analfabeto, ou semi-analfabeto, que lida com o cavalo funcional sem paciência, sem respeitar as individualidades, aplicando métodos de diferentes graus de violência. A maioria dos peões não pode ser chamada de treinadores. Estão muito mais próximos dos cowboys de rodeio. A boca do cavalo funcional sofre nas mãos rudes dos peões; a espora machuca os costados, o chicote açoita sem pena e consideração pelos seus serviços prestados. A voz confunde, ao invés de integrar.

O treinador é um profissional do cavalo. Refinado na lida, treina cada cavalo de acordo com o tipo de comportamento, que reflete a individualidade.. É paciente na repetição das lições, para consolidar o aprendizado, dia a dia. O treinador é amigo do cavalo, persistente na busca do performance ideal, respeitando os limites de cada cavalo. Seu objetivo é desenvolver a confiança. Em seguida, a integração, como se fosse um único ser, imbuídos na busca do mesmo objetivo. O treinador sempre recompensa seu aluno pelas lições bem feitas. E se é bom treinador, raramente precisará usar a outra ferramenta do aprendizado, a punição.

O cavalo é como uma jóia rara. Precisa ser continuamente lapidado, para agradar ainda mais o seu dono.

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