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GENÉTICA FUNCIONAL NA RAÇA CAMPOLINA

Existem três hipóteses para a origem da marcha na raça Campolina: Genética, pressão de seleção para comodidade, adaptação funcional. Vamos analisar a hipótese genética, a mais provável. Inicialmente, Cassiano Campolina conduziu cruzamentos com Monarca ( 50% de sangue Andaluz e 50% de sangue da égua nacional Medéia, de origem Bérbere ). Certamente, Monarca era trotador, pois o trote da raça Andaluz é dominante sobre o andamento de Medéia, o qual não há referencia quanto ao tipo. Sabe-se apenas que há registros na raça Bérbere de animais de andadura, devido a uma provável mutação gênica nos desertos do norte da África. Os cavalos holandeses, introduzidos no Brasil quando da invasão holandesa em Pernambuco, também apresentam uma certa incidência de andadura. Outra consideração é quanto ao próprio trote do cavalo de origem Andaluz, um trote do tipo articulado, de deslocamentos bem flexionados, o que contribui para o estilo desejável de locomoção dos cavalos marchadores.

O primeiro garanhão de raça exótica utilizado por Cassiano Campolina foi Menelike, de origem Anglo-Normando, de andamento trotado. Foi utilizado visando a produção de éguas de maior porte, a serem utilizadas como “muladeiras”. Em seguida, Cassiano Campolina conduziu experiências mal sucedidas com garanhão Percherão, que não produziu filhos (as) marchadores, e de temperamento linfático para a sela.

O sucessor de Cassiano Campolina, Sr. Joaquim Pacheco Rezende, comprou do Cel Gabriel Augusto de Andrade ( “Passa Tempo” ) um exímio marchador, de nome Golias, pelagem baia, ¼ de sangue Clydesdale. Golias foi o marco inicial da pressão de seleção genética sobre a marcha. Mas Joaquim Pacheco também conduziu experiências mal sucedidas com garanhão Puro Sangue Ingles. Paralelamente, a marcha vinha sendo selecionada com mais rigor no vizinho criatório do Cel. Gabriel Augusto de Andrade, que mantinha um plantel com características “mangolinas”, tendo em vista que a base de éguas do plantel legado pelo pai, Francisco Teodoro de Andrade, tinha origem no plantel original da raça Mangalarga Marchador, formado na Fazenda Campo Alegre, em Cruzília, Sul de Minas, propriedade do notório “Barão de Alfenas” (Gabriel Francisco Junqueira).
     
       O sucessor de Joaquim Pacheco, o filho conhecido como “Sr. Quinzinho”, foi mais exigente quanto á seleção da marcha no plantel legado por Cassiano Campolina e seu pai. Alem de alguns filhos de Golias, também comprou outro filho deste extraordinário marchador, de nome Otelo, de pelagem alazã. Otelo é o avô do famoso Gas Tejo. Mas o “Sr. Quinzinho” também teve a ousadia de cruzar sua melhor égua, a Predileta, com o Rio Verde, principal reprodutor Mangalarga Marchador da Fazenda Campo Grande (“Passa Tempo”), tendo gerado deste cruzamento o notável Campolina Rex. Assim, com duas decisões, a compra de Otelo, e o cruzamento da Predileta com o Rio Verde, foram gerados os dois melhores frutos da linhagem berço sufixo “Gas” , Campolina Rex e Gas Tejo.

      A verdade é que Rio Verde deve ser considerado como o grande responsável pela contribuição genética prepotente de marcha na raça Campolina, especialmente na linhagem Passa Tempo. Dos criatórios antigos, três destacaram-se na seleção da marcha: Campo Novo, Santa Maria e Cassorotiba. Destes quatro criatórios foram produzidos os melhores marchadores da raça Campolina em toda a história.

Atualmente, pode-se considerar que a marcha é um dom natural devidamente fixado na raça Campolina. Porém, há riscos de perdas sensíveis de qualidade caso um enfoque maior de seleção for dedicado à marcha do tipo batida, tendo em vista a proximidade desta com o trote. Quanto à pressão de seleção sobre a comodidade, esta também foi imprescindível, tendo em vista o idealismo de Cassiano Campolina e seus sucessores, bem como dos integrantes da outra linhagem pilar, a Passa Tempo, no objetivo de selecionar cavalos de grande porte e cômodos de andamento, para atender a necessidade de transporte e dar mais conforto na árdua labuta das lidas de campo em região montanhosa.

Finalmente, também deve ser considerada uma parcela da adaptação funcional, tendo em vista que tanto a raça co-irmã, Mangalarga Marchador como a Campolina foram forjadas em regiões montanhosas, que exigiam dos cavalos deslocamentos continuamente dissociados ao longo das trilhas estreitas, sinuosas e íngremes.

Atualmente, os modernos conceitos de avaliação da morfologia relativamente à funcionalidade ( leia-se marcha de tríplices apoios ), na busca pelo biótipo funcional, em muito poderá contribuir para os ganhos de qualidade global na marcha do cavalo Campolina. Contudo, o criador selecionador precisa ter em mente que além da marcha ser uma característica genética, existem outros atributos funcionais que compõem a complexa genética funcional, como o brio, a coragem, a docilidade, a boa treinabilidade. E todos estes fatores dependem do profissionalismo e sensibilidade daqueles que lidam diariamente com o Campolina funcional.

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